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Há 79 anos: nascia Charlie Watts

Em 2 de junho de 1941, nascia Charles Robert Watts, em Kingsbury, Londres. O menino veio ao mundo em tempos difíceis, que acabaram afetando também sua família, pois seu pai estava distante em seu dever patriota durante a Segunda Guerra Mundial, e sua mãe trabalhava, sendo assim era necessário ter alguém para cuidar da criança, essa pessoa foi justamente sua avó, que morava próximo a Kings Cross Station, também em Londres. O garoto cresceu na área de Wembley, em uma casa pré-fabricada, o motivo era justamente a guerra, a maior parte das casas naquela região foram destruídas por bombas alemãs, mas a magia da música conseguiu encantar o jovem Charlie mesmo assim, por volta de seus 10 anos de idade, ele escutou Jazz pela primeira vez, o gênero musical se tornaria sua grande paixão. Na casa número 22, a residência vizinha à de Watts, vivia um amigo de infância, que se tornaria também um companheiro de palco, Dave Green. Charlie queria ser baterista e Green queria ser baixista, o que era perfeito! Ali nascia a primeira seção de ritmo da qual Watts faria parte, os dois também descobriram o mundo dos discos de 78 rotações juntos, o que incluía álbuns de Charlie Parker. A vontade de Charlie em se tornar um baterista era tamanha, que ainda na adolescência ele transformou o corpo de um banjo em uma caixa de bateria, em 1955 seus pais lhe dariam seu primeiro kit.

No ano de 1957, Watts deixou os estudos regulares e foi para a Harrow School of Art, onde aperfeiçoou seu trabalho como designer gráfico, e no ano de 1960 já estava trabalhando em uma agência publicitária em Londres como tal. Em 1961 o baterista conheceu Alexis Korner, mas na época Charlie estava indo para a Dinamarca trabalhar também como designer, porém, quando voltou à Inglaterra, Watts começou a tocar nos fins de semana com a Blues Incorporated em 1962, e foi durante uma dessas apresentações que ele conheceria seus futuros companheiros de banda. Em 23 de março daquele ano ele conhece Brian Jones em uma apresentação no Ealing Jazz Club, e em 7 de abril, no mesmo local, Charlie conhece Mick e Keith que acabaram também conhecendo Brian, que estava lá para uma performance de “Dust My Room” de Elmore James, e mais tarde frontman e guitarrista estariam entrando para a banda de Jones. Richards já estava de olho no talentoso baterista, mas os Rolling Stones passaram seu primeiro ano como banda com diferentes caras comandando as baquetas e nenhum deles era Watts, que foi convidado para se tornar um integrante na metade de 1962, aceitando só em janeiro de 1963. A estreia oficial de Charlie Watts nos Rolling Stones foi no dia 12 de janeiro de 1963, no Ealing Club. Depois daquela apresentação, não houve mais rodízio de bateristas e ele nunca mais saiu da banda. Naquele mesmo ano ele já sairia em turnês com os Stones, e em 1964 faria a primeira excursão para os EUA de sua carreira. Os primeiros vinte anos com a banda foram uma total aventura para alguém que havia começado no Jazz e caído no Rock And Roll, mas tantos anos de turnês e excessos dos outros integrantes, e a época em que a banda chegou perto de encerrar as atividades, talvez tenham mexido com Charlie, pois durante as gravações do disco “Dirty Work”, o baterista acabou entrando no mundo das drogas, algo que mesmo depois de ter passado, ainda havia deixado marcas em sua família.

Em 23 de março de 1986 era gravado o show da Charlie Watts Orchestra no Fulham Town Hall, o disco com o registro da apresentação foi feito com o estúdio móvel dos Stones e seria lançado no mesmo ano, em 1º de dezembro. Já na década de 90, os tempos difíceis nos Rolling Stones e os problemas de Watts com drogas haviam passado, agora o baterista poderia aproveitar seus projetos paralelos com muito mais tranquilidade, e em 1991 era iniciada a discografia do Charlie Watts Quintet, com o álbum “From One Charlie”, lançado em um box no dia 8 de abril. No ano de 1992, Charlie se tornaria o primeiro Stone a fazer shows no Brasil, já que o Charlie Watts Quintet fez apresentações em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, o que explica porque o baterista foi mais ovacionado do que todos os outros integrantes dos Rolling Stones nos shows da Voodoo Lounge Tour em solo brasileiro. Meses após esta turnê pelo Brasil, o quinteto lançaria “A Tribute To Charlie Parker With Strings” (1992) – que contou com Bernard Fowler nos vocais –, que seria seguido de “Warm And Tender” (1993), o último lançamento do projeto foi “Long Ago And Far Away”, lançado em 1996. Em 1997, durante as gravações do álbum “Bridges To Babylon”, Charlie e Jim Keltner gravaram um álbum de música eletrônica que só seria lançado em 23 de maio 2000 com o título simples de “Charlie Watts/Jim Keltner Project”.

O século XXI não trouxe apenas excursões incríveis como a “Licks Tour” (2002 - 2003), em 2004 Charlie foi diagnosticado com câncer de garganta e começou imediatamente o tratamento, e em novembro, quando foram iniciadas as sessões para a música “Streets Of Love”, Watts já estava livre do câncer fazia dois meses, confirmando o pensamento de Keith Richards de que o baterista conseguiria se livrar da doença. Mas o fim da primeira metade dos anos 2000 parecia assombrar Charlie, pois em 2005 ele quebrou o esterno (um osso em formato de “T” localizado na parte anterior do tórax) em um acidente de carro quando estava na França, a história que circulou na época foi de que Watts estava em uma limusine e seu motorista teria caído no sono. Mas tudo estava bem para o instrumentista cair na estrada mais uma vez com os Stones, na que seria a maior turnê da banda em questão de datas, a excursão do álbum “A Bigger Bang” (2005 - 2007). Já no ano de 2010, Watts voltaria à Dinamarca, país que foi sua casa durante a época em que trabalhou por lá como designer gráfico, mas daquela vez ele estava em Copenhague para tocar Jazz em uma apresentação ao vivo com a Danish Radio Big Band no Danish Radio Concert Hall. Ainda em 2010 seria lançado o disco “The Magic Of Boogie Woogie”, que foi o primeiro álbum do ABC&D Of Boogie Woogie, que incluía Dave Green em sua formação, dois anos depois foi a vez dos fãs comprarem o “Live In Paris”. Em dezembro de 2015, Charlie realizava o sonho de muitos fãs dos Stones gravando em 3 dias o álbum “Blue & Lonesome”, que consiste apenas em covers de clássicos do Blues.

Charlie Watts mostra que é possível tocar Rock And Roll e manter a elegância. Com um ritmo inigualável, sua forma de tocar conseguiu acompanhar a evolução do gênero musical, e segue até hoje influenciando jovens bateristas ao redor do mundo.

“Charlie é um charme, ele é um baterista excelente. Além de ser muito divertido!” – Keith Richards, 2016

Happy Birthday, Charlie Watts!

Foto: Bent Rej

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