Keith Richards fala sobre Mick Jagger, sua mãe e o Nobel de Bob Dylan
- 11 de nov. de 2016
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Os Beatles tinham Brian Epstein, mas os Rolling Stones tinham um secreto membro extra que era a mãe de Keith Richards, Doris.
É assim que o guitarrista relembra a dinâmica nos primeiros dias da banda. Antes do primeiro single ser lançado, Richards vivia com o guitarrista Brian Jones e o vocalista Mick Jagger, moravam em um apartamento no Oeste de Londres em 1962 e 1963.
"Era uma choupana" contou o roqueiro de 72 anos ao The Post, rosnando no telefone de sua casa em Connecticut.
"A minha mãe nos salvou — ela lavava nossas roupas para nós e enviava de volta. Brian tinha um parasita que fazia qualquer coisa. Nós éramos muito rudes com ele, mas ele fazia a coisa toda para nós. Então nós empacotávamos a roupa em papel marrom, dávamos o dinheiro a ele para os selos, e ele levava para enviar nos correios e pegava de volta cinco dias depois. Essa era a contribuição da minha mãe para a banda. Ela era como o sexto Stone naquela época!"
Uma reconstrução desse apartamento é uma das principais atrações em "Exhibitionism: The Rolling Stones", que abre neste sábado no Industria Superstudio na West Village. A recriação é tão sombria quanto Richards faria você acreditar; ela mostra metade de uma comida consumida, cigarros descartados, e tem até mofo crescendo nas paredes.
A exibição coleta centenas de itens da história da banda, incluindo instrumentos, pôsteres, roupas que foram usadas pelos caras, e muito mais. A exibição (que abriu em Londres no ano passado) marca a primeira vez que o grupo abre seus arquivos privados para os fãs verem.
Para Richards, ela traz algumas memórias, particularmente da infância espartana da banda, que é um mundo longe da imensa marca que os Rolling Stones se tornariam através das resultantes décadas. Você não pode culpar Richards por ficar um pouco emocionado.
"Eu, Mick e Brian sentávamos em frente a um fonógrafo naquele flat, e escutávamos ao blues de Chicago e country blues por horas, tentando entender o que aqueles caras estavam tocando e como nós jamais chegaríamos perto. Nós éramos dedicados, idealistas — e estúpidos!"
Outras peças notáveis em exposição incluem o livro de letras de Jagger (que tem as letras de hits incluindo "Miss You" e "Worried About You"), o kit de brinquedo usado por Charlie Watts na gravação de "Street Fighting Man" e várias guitarras de Richards. Uma delas tem pinturas coloridas e psicodélicas feitas pelo próprio Richards após ter tomado LSD em 1967. Mas, como Richards relembra, ele não era tão gung-ho como seus companheiros de banda e contemporâneos quando se tratava de procurar os despertares espirituais que o final dos anos 60 ofereceu.
"Brian e Mick foram levados com os Beatles e o Maharishi [Mahesh Yogi] e o blah, blah", ele disse desconsiderando. "Eu fiquei na periferia, e Charlie não deu a mínima pra isso. Era tudo amor, amor, amor, vestindo algodão indiano chique e as barbas crescendo."
Apesar de Jagger brevemente ter sido um estudante de Maharishi em 1967, ele não se juntou aos Beatles em sua famosa visita à Índia em 1968, onde eles praticavam um intenso curso de Meditação Transcendental.
"Eu achava que o Maharishi era um merda. Eu desprezei o cara. Eu me senti mal por John [Lennon] e Paul [McCartney], que continua um bom amigo. Era o sabor do mês. Ele arruinou os Beatles. Eu não estava interessado. Eu estava ocupado escrevendo 'Gimme Shelter'!"
Apesar do extremo fator nostálgico na exibição, os Rolling Stones estão indo em direção a um novo capítulo em sua carreira. Mês passado, eles tocaram um bem recebido set no festival Desert Trip, em Indio, na Califórnia. — carinhosamente conhecido como "Oldchella" por seu grande lineup. Tocando antes deles estava um ponta firme bem sucedido com o nome de Bob Dylan.
"Eu pensei que seria muito importante para o pessoal do Nobel dar a Bob o prêmio por literatura", disse Richards. "Eu acho que é a primeira vez que nós compositores fomos permitidos de má vontade entrar no mundo da literatura. Mas isso é bom, especialmente porque o que todos aqueles bastardos como Shakespeare fizeram foi roubar canções e baladas de menestréis [cantores folclóricos medievais da Inglaterra]!"
O grupo está também preparando o lançamento do primeiro álbum de estúdio desde 2005. "Blue & Lonesome", que será lançado em 2 de Dezembro, é uma coleção de canções de blues escritas e originalmente gravadas por nomes como Howlin' Wolf, Little Walter, Willie Dixon e outros. Cinquenta e quatro anos depois das audições de estudo que Richards, Jagger e Jones tinham em seu apartamento de Londres, os Rolling Stones estão agora prestando uma direta homenagem aos artistas que os inspiraram. E a áspera sensação das gravações sugere que eles tiveram um ótimo momento. "Em três dias, os Stones gravaram 12 faixas", disse Richards. "Isso é um disco em si. Eric Clapton estava no estúdio ao lado, então nós pedimos a ele para tocar, também. Eric foi uma parte dos Stones antes de ele conseguir tocar. Quando nós estávamos tocando em clubes, ele era um dos nossos maiores fãs."
Nos anos recentes, Richards falou sobre Jagger em termos pouco lisonjeiros. Em uma entrevista de 2011 com o Observer de Londres, Richards comparou Jagger a Maria Callas e se referiu a ele como uma "diva" que o resto da banda [Watts e guitarrista Ron Wood] tinha que ter cuidado para não incomodar. Mas trabalhar em lugares próximos em "Blue & Lonesome" parece ter trazido alguns traços mais cativantes e admiráveis de Jagger para a superfície. "Neste álbum, você pode ouvir o quanto ele é uma parte da banda e que músico ele é", disse Richards. "Por quê ele é um showman e tanto, muito do verdadeiro talento dele fica escondido. Mas neste disco, ele pode ficar bem orgulhoso de si. Eu sempre amei o cara. Só que eu tenho que chutar a bunda dele de vez em quando!"
"Exhibitionism: The Rolling Stones" abre no sábado e vai até 12 de Março de 2017. A entrada é $37 para adultos. Industria Superstudio, 775 Washington St.

Foto: Carlos Muller





















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