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Keith apressado e banda afiada: os Stones em Jacksonville

  • Texto: Marcos Magalhães
  • 25 de ago. de 2019
  • 5 min de leitura

O retorno dos caras!

Foto: WJXT News4Jax

 

Quando os Rolling Stones tocaram no extinto Gator Bowl, em Jacksonville, na noite de 25 de outubro de 1989, provavelmente não pensaram que passariam quase 30 anos sem fazer um show na cidade. A longa espera só foi finalizada em 19 de julho de 2019, quando a banda realizou o 7º concerto da “No Filter” no TIAA Bank Field.

A abertura do show ficou por conta da banda New Orleans, que fez jus à fama de sua cidade, dando ao público um dos atos de abertura mais explosivos da “No Filter”. O grupo foi bem recebido e ovacionado pelo público. Quem não chegou no estádio em tempo, perdeu uma aula de competência em cima do

palco e de como abrir para a Maior Banda do Mundo.

 

O show começou pouco tempo após o horário, e há quem diga que a apresentação estava sendo gravada, logo, faz sentido Keith Richards ter entrado no palco antes mesmo da banda ser anunciada, quando o vídeo de abertura ainda estava rodando. Se a gravação para um registro oficial realmente estava acontecendo, “Street Fighting Man” já seria um problema para a edição do espetáculo, já que com a pressa de Richards, Mick Jagger perdeu a entrada da música, se recuperando pouco depois. Apesar do que aconteceu logo no início, a primeira da noite teve novamente uma sublime performance – erros acontecem.

 

"Eu me lembro do Gator Bowl. Foi há tanto tempo assim!" – Mick Jagger

“It’s Only Rock ‘N Roll (But I Like It)” teve pequenas mudanças de letra por Jagger, enquanto Charlie Watts, o rei do ritmo, guiava a banda pelos caminhos de mais uma grande noite de Rock And Roll. Já em “Tumbling Dice”, Ronnie teve problemas com seu amplificador, o que acabou resultando em um momento que pode ser considerado histórico, já que enquanto Wood tinha problemas e seu técnico tentava resolvê-los, Keith acabou sendo o responsável por preencher a parte em que Ron faria o solo. Vale lembrar que foi Keith quem tocou o solo na gravação original de "Tumbling Dice", durante aquela sessão Mick Taylor estava no baixo – Bill Wyman não participa da gravação.

Sublinhado: Errata feita em 13 de março de 2020 por conta de não termos mencionado o fato em "Tumbling Dice" no texto original de 25 de agosto de 2019.

 

Em seguida, a escolhida pelos fãs parece ter definitivamente passado a ser o quarto número da noite, os dias de promoção de “Blue & Lonesome” já estão distantes. A vencedora do song vote em Jacksonville foi “Monkey Man”, que apareceu pela segunda vez na “No Filter”, a primeira turnê a ter o clássico no setlist desde de a “A Bigger Bang”. Chega a ser difícil escolher qual a melhor execução do clássico de 1969, já que em Chicago, a banda também apresentou uma competência ímpar. Nesta versão, a voz de Sasha Allen esteve mais presente, em comparação com a primeira vez da música no set.

Em “You Can’t Always Get What You Want”, Matt Clifford teve uma de suas melhores execuções na introdução durante a atual turnê, o músico até mesmo se adaptou a um pequeno atraso no tempo e não deixou a performance cair, encerrando sua participação na intro de um dos maiores clássicos dos Stones de forma magistral. Quem também desempenhou um belo trabalho foi Ronnie Wood. Com sua jaqueta cor de prata ao vento, o guitarrista deu uma amostra do motivo de ser o guitarrista dos Stones há mais de 40 anos.

A volta de “Play With Fire” ao set acústico foi recebida com entusiasmo pelo público da Flórida, mas o clássico que brilhou nesta parte do show foi “Sweet Virginia”, com o boêmio vocal de Keith Richards como apoio. Durante essa versão, Jagger explorou mais o palco B enquanto Ronnie Wood fazia seu solo, o que, evidentemente, levou o público à loucura por estar tão perto do maior frontman da história. No penúltimo refrão, Mick arriscou uma nota e conseguiu ser certeiro em sua escolha – algo raro ouvir Jagger acertar uma nota tão alta sem nenhum resquício de semitonação. A versão no TIAA Bank Field terminou com Charlie Watts esmurrando os pratos sem piedade.

 

Ovacionados pelo público, os Stones andaram pela passarela e se dirigiram ao palco principal para “Sympathy For The Devil”, enquanto o som da percussão tomava conta do estádio. Uma forte versão do clássico de 1968 foi apresentada na Flórida, dessa vez, a guitarra de Wood não estava em desvantagem em relação aos outros instrumentos, enquanto Richards driblava sua artrite durante o solo que apresentou um de seus melhores finais, preparando o campo para a volta de Mick, que seguiu apostando em notas altas não muito frequentes em “Sympathy For The Devil”, o mesmo aconteceu antes do primeiro refrão de “Honky Tonk Women”, onde Jagger voltou a apresentar a afinação que aparecera no palco B. A banda também estava atenta, mas em relação a erros. Se um integrante deixasse um espaço não preenchido, outro corrigia; se o tempo parecia que seria perdido, alguém rapidamente se adaptava ao adiantamento ou atraso, o que fazia com que os demais não se perdessem na música, algo que aconteceu principalmente entre Keith e Charlie.

Ao assumir os vocais em “Slipping Away”, Keith foi cuidadoso com as escolhas de notas, fugindo um pouco da performance regular de outros shows. Mas “Before They Make Me Run” continua sendo a música em que o guitarrista rouba a cena. Com seu clássico movimento de fazer um acorde apenas soltando as cordas, Richards deu início a uma das melhores execuções da noite.

 

Os contrastes na segunda parte dos primeiros shows da leg norte-americana são bruscos, mas muito bem pensados, já que logo após fazer o estádio dançar com “Miss You”, “Paint It Black” e sua atmosfera um tanto sombria domina a noite até que a trinca é encerrada com a energia de “Midnight Rambler”. Seguindo este trio espetacular, o set passou por uma sutil, mas notável mudança, já que "Gimme Shelter" foi tocada pela primeira vez antes do bis. Soando como um garoto, Mick Jagger não economizou nas notas altas durante o clássico, e Sasha Allen entregou a performance que qualquer público dos Stones deseja ouvir.

O fim da festa antes do bis começou com “Start Me Up”, onde Wood solou com uma proposta completamente diferente do usual, o que pode aumentar a suspeita de que o show realmente foi filmado na cabeça de alguns fãs. O clássico foi seguido com uma explosão de energia em “Jumping Jack Flash”, especialmente por parte de Mick Jagger.

A voz de Mick chegou a dar sinal negativo em poucos momentos da performance de “Brown Sugar”, a primeira do bis em Jacksonville, mas o alcance vocal foi recuperado no espaço entre as canções – que foi pequeno por conta de Richards – para a última da noite, “(I Can’t Get No) Satisfaction”, onde Bernard Fowler e Sasha Allen cantaram o riff da música no melhor estilo “vinheta do Rock In Rio”. O pedal do bumbo de Charlie Watts estava impiedoso e ajudou a encerrar de forma espetacular a noite no TIAA Bank Field, dando ainda mais força à execução do clássico.

A noite mais incrível de Rock And Roll do ano em Jacksonville foi encerrada com o público cantando o riff de "Satisfaction" – parece que a Bernard e Sasha foram apreciados pelo público neste momento. Enquanto os agradecimentos eram feitos, a plateia se tornava dona do show, ovacionando a Maior Banda do Mundo.

Foto: Bob Self/Jacksonville.com

 

Setlist:

1. Street Fighting Man 2. It's Only Rock 'N Roll (But I Like It) 3. Tumbling Dice 4. Monkey Man (vote song) 5. You Can't Always Get What You Want 6. Play With Fire (palco B) 7. Sweet Virginia (palco B) 8. Sympathy For The Devil 9. Honky Tonk Women 10. Slipping Away (Keith) 11. Before They Make Me Run (Keith) 12. Miss You 13. Paint It Black 14. Midnight Rambler 15. Gimme Shelter (Mick e Sasha) 16. Start Me Up 17. Jumping Jack Flash BIS 18. Brown Sugar 19. (I Can't Get No) Satisfaction

Foto: The Rolling Stones

 
 
 
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