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Stones em Marte: o espetáculo no Rose Bowl, em Pasadena

  • 10 de out. de 2019
  • 6 min de leitura

Stones On Mars

Foto: Chris Pizzello/AP

A cidade de Pasadena, na Califórnia, tem uma história pequena e interessante com os Rolling Stones. A banda só tocou na cidade pela primeira vez na turnê do "Voodoo Lounge", com dois shows no Rose Bowl, em 19 e 21 de outubro de 1994. Quase 25 anos depois, a banda retornou com a "No Filter" para tocar no mesmo estádio das vezes anteriores.

Iniciando os trabalhos diante de um Rose Bowl não muito cheio, a banda islandesa KALEO teve a difícil tarefa de abrir um show dos Stones. Mesclando o clássico blues rock com estruturas que não são estranhas ao pop rock da última década, a banda consegue soar autêntica e se saiu muito bem no palco da "No Filter".

Antes dos Rolling Stones entraram no palco, o ator Robert Downey Jr. foi anunciado para a surpresa do público. Horas antes, o ator chegou a fazer suspense em suas redes sociais sobre um anúncio envolvendo os Stones e a NASA.

"Em 1964, dois lançamentos épicos aconteceram: o primeiro álbum dos Rolling Stones [...] e o Mariner 4, que foi o primeiro satélite a se aproximar de Marte". Quando Robert mencionou o primeiro álbum dos Stones, alguns fãs comemoraram e falaram "oh, meu Deus", provavelmente pensando que Robert estava ali para anunciar o novo disco da banda, mas não era nada do tipo. Robert estava ali para anunciar que tudo se tratava de uma pedra marciana que foi nomeada como "Rolling Stones Rock". O motivo ocorreu em novembro de 2018, quando a missão InSight pousou em Marte, batendo em uma pedra que rolou próximo à nave. No palco, Mick Jagger agradeceu à NASA dizendo: "A NASA nos deu algo que sempre quisemos, a nossa própria rocha em Marte".

O espetáculo no Rose Bowl começou com uma performance matadora de "Street Fighting Man", que foi encerrada com o pé nervoso de Charlie Watts no pedal, o bumbo do baterista estava muito bem amplificado. Para continuar com a fúria, "You Got Me Rocking", a música com um solo de cada guitarrista, retornou ao show junto com a Zemaitis de Ronnie Wood, mas foi a Telecaster de Keith Richards que roubou o show. Geralmente, Keef se sai muito bem na faixa do "Voodoo Lounge".

"She's A Rainbow", que um dia foi raridade, venceu mais uma vez o song vote. Mas a banda ainda demonstra interesse em tocar o clássico (quase) perdido, tanto que Mick Jagger chegou a fazer raras firulas durante o último refrão da faixa de 1967. O show seguiu com "You Can't Always Get What You Want". Enquanto Ronnie sentava no tablado de Charlie, aguardando sua Gibson, a execução do clássico começava. Felizmente, a guitarra de Wood chegou pouco antes do fim do primeiro refrão, afinal, YCAGWYW não pode ficar sem o solo de Ron, que percorreu caminhos atípicos no Rose Bowl.

Com clima de descontração, que permaneceu até o fim do segmento, os garotos desceram até o palco B, onde começaram a pequena parte acústica do concerto com "Sweet Virginia". Mick Jagger deu o tempo novamente, como fez m Santa Clara, sem o mesmo sucesso da última vez, mas o clássico foi executado sem grandes problemas, empolgando os quase 57 mil que estavam no Rose Bowl. "Dead Flowers" sofreu alguns deslizes envolvendo semitonações durante o último refrão, mas também foi executada em maior parte com primor pela maior banda do mundo.

A entrada giratória de Mick em "Sympathy For The Devil" foi bastante ovacionada por parte do gigantesco estádio, com gritos e/ou aplausos direcionados ao vocalista, que aos 76 anos não mede esforços para impressionar o público com sua presença de palco. Em Pasadena, Mick fez uma rara variação nas notas e Keith Richards entregou uma performance superior ao que vinha apresentando em seus solos em shows anteriores. Cantando muito bem, Jagger brindou a plateia com ótima forma vocal, enquanto a banda mostrava estar em máxima sintonia no clássico de 1968.

O Rose Bowl cantou o refrão de "Honky Tonk Women" a todo volume, quase chegando ao ponto de cobrir Mick Jagger e os backing vocals. Felizmente, no show de Pasadena, a guitarra de Keith não ficou muda após seu solo, como aconteceu em Santa Clara, a Telecaster falou alto mesmo durante o solo de Chuck Leavell. O violão de Richards também soou forte pelo estádio em uma versão mais bem executada de "You Got The Silver", em comparação com o show anterior. Como o set de Keith se tornou o melhor dos dois mundos, a energia continuou ficando por conta de "Before They Make Me Run", onde o guitarrista voltou a optar por não cantar o verso "only a crowd", que apesar de estar sozinho nas versões ao vivo, originalmente é imediatamente seguido de "can make you feel so alone", basicamente Keith colocou o verso original em outro lugar. A voz de Richards ainda estava em dia, Charlie estava mandando ver nas viradas e para completar, tiveram os tradicionais solos de Keith e Ronnie, quase uma batalha de guitarras, seguida pelo último refrão que levou à imensa onda de aplausos ao eterno riff man dos Stones.

"Miss You" foi, como sempre, um espetáculo de música pela banda e de presença de palco por Mick Jagger, mas o astral parecia maior em Pasadena, até mesmo durante o solo de baixo de Darryl Jones, onde todos os improvisos funcionaram maravilhosamente bem e o baixista pôde até fazer uma ponte entre as novidades e escalas que já são de praxe em seu momento de brilhar, o que tirou sorrisos até mesmo de Charlie Watts, enquanto Keith Richards ficava mais ao fundo apenas assistindo o baixista. O solo pop com um quê dramático de Tim Ries não durou tanto quanto em outros shows, parecia que Mick Jagger iria cantar os versos "I guess I'm lying to myself / It's just you and no one else", que foram deixados de lado desde o show em Denver, mas o vocalista seguiu cantando o que só viria depois: "you've been fucking with my mind / fooling with my time". Mas mais uma vez, não foi algo que atrapalhou a execução do clássico. Entre as duas músicas de maior duração da noite, estava "Paint it Black", novamente dando um bom balanço durante um dos momentos mais esperados do show.

Com Charlie Watts esmurrando o prato sem dó, o clima tenso começa a dominar o Rose Bowl, é hora de "Midnight Rambler". Mas apesar da força inicial, estranhamente o clássico não teve um início tão impactante como é de costume, porém, ao entrar em sua parte mais elétrica, a energia que os fãs conhecem e adoram estava de volta, embora Ronnie não tenha explodido num solo poderoso como de costume antes da gaita de Mick Jagger brilhar mais uma vez.

"Fazem 25 anos que tocamos no Rose Bowl e 55 anos desde a primeira vez em que tocamos em L.A." – Mick Jagger

"Start Me Up" foi aplaudida pelo público de Pasadena, mostrando ser uma das mais esperadas pelos fãs que lotavam o Rose Bowl, mesmo depois de décadas no set. Os aplausos não foram em vão, a banda mais uma vez se mostrou em imensa sintonia durante o clássico que, às vezes, não parece ser tocado com tanta paixão, mas nos últimos shows da "No Filter", essa realidade era completamente diferente. É justo dizer que essa foi uma das versões mais pesadas do clássico do "Tattoo You", em alguns momentos Jagger até soava como se tivesse voltado àqueles dias. Sobre a competência na execução, o mesmo pode ser dito de "Jumping Jack Flash".

Com a banda se entendendo tão bem no palco, já era de se esperar que "Brown Sugar" fosse um estouro em Pasadena. Uma das poucas inconstâncias da música aconteceu durante o solo de Karl Denson, que procurou fazer algo mais virtuoso, mas acabou se perdendo no tempo pouco antes da volta dos vocais de Mick, quando se recuperou. Após o clássico de 1969, o público estava impressionado com o que havia presenciado, foi nesse momento de emoção que a introdução de "Gimme Shelter" começou a ser tocada depois de uma breve pausa. Apesar da versão levemente mais lenta em comparação com o que foi tocado em Santa Clara, os velhos não deixaram o show cair.

"(I Can't Get No) Satisfaction" foi o último rugido da noite! Eram quatro senhores na casa dos 70 dando tudo de si ao lado de sua banda de apoio, mas ninguém parecia exausto no palco. Mick manteve a boa voz com a qual começou o concerto, Richards mostrava atitude enquanto tocava seu riff mais lendário, Wood fazia sua guitarra cantar e usava de seu carisma com o público, e Charlie Watts segurava a bronca na bateria sem sinais de cansaço. Para terminar a noite, fogos de artifício tomaram o céu de Pasadena durante o momento em que os Stones eram ovacionados por 56.974 pagantes.

Mesmo com um ar mais tranquilo do que em outras performances, o Rose Bowl recebeu um show de grande competência musical, em que os Stones demonstraram que ainda são como vinho. Os anos passam e sua performance fica mais aprimorada.

Foto: Luis Sinco / Los Angeles Times

1. Street Fighting Man 2. You Got Me Rocking 3. Tumbling Dice 4. She's A Rainbow (vote song) 5. You Can't Always Get What You Want 6. Sweet Virginia (palco B) 7. Dead Flowers (palco B) 8. Sympathy For The Devil 9. Honky Tonk Women 10. You Got The Silver (Keith) 11. Before They Make Me Run (Keith) 12. Miss You 13. Paint It Black 14. Midnight Rambler 15. Start Me Up 16. Jumping Jack Flash 17. Brown Sugar BIS 18. Gimme Shelter 19. (I Can't Get No) Satisfaction

Foto: @brianjonesrocknroll (Instagram)

 
 
 

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